quarta-feira, 24 de junho de 2009

Contas de resultado

a.) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE): mostra em detalhes o Resultado (lucro ou prejuízo) obtido por determinada empresa em determinado período.

b.) Receitas Operacionais: são decorrentes das operações normais da empresa. Será classificado como operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam o objeto social da empresa.

As receitas operacionais podem ser decorrentes:

· das vendas de mercadorias;

· da prestação de serviços; ou

· de ambas as atividades.

Por exemplo, uma empresa pode ter como atividade comercial a revenda de aparelhos hospitalares e, ao mesmo tempo, montar uma equipe de técnicos para prestar serviços de assistência para manutenção e limpeza desses aparelhos vendidos. Outro exemplo: uma revendedora de veículos pode explorar também os serviços de manutenção de veículos, além das vendas de peças.

c.) Outras Receitas Operacionais e Não Operacionais: normalmente, as receitas de uma empresa decorrem da venda de bens e mercadorias e da prestação de serviços. Essas são as atividades principais e, também, podem ser obtidas receitas das atividades acessórias. Exemplos de atividades acessórias:

· rendimentos das aplicações financeiras – operacionais;

· venda de bens do ativo permanente – não operacional;

Há necessidade, portanto, de planejar um sistema de escrituração que forneça informações detalhadas acerca da origem de cada tipo de receitas, bem como se houve ou não o recebimento correspondente.

Uma empresa deve segregar a escrituração de suas receitas pelas contas:

· venda de mercadorias – empresa comercial;

· vendas de produtos – empresa industrial;

· prestação de serviços;

· receitas financeiras ; e

· receitas não operacionais.

Em resumo, as receitas são fatos contábeis que implicam aumento do Patrimônio Líquido da empresa. Devem, portanto, ser registradas em contas transitórias do resultado, as quais aumentam, durante o exercício social, à medida que são auferidas. No término do exercício social as contas de receitas são encerradas para efeito de apuração do resultado.

d.) Receitas Brutas: principais fontes de recursos de uma empresa, as receitas decorrentes das vendas de bens e da prestação de serviços devem ser apresentadas na DRE pelo valor total das notas fiscais de vendas ou de prestação de serviços.

Devem ser consideradas todas as receitas realizadas no período, independentemente de serem recebidas à vista ou a prazo, observado, portanto, o regime de competência dos exercícios.

A realização da receita ocorre quando os bens são entregues ao comprador.

e.) Deduções da Receita Bruta: são compostas pelas vendas canceladas, pelos descontos incondicionalmente concedidos e pelos impostos incidentes sobre vendas, para, finalmente, determinar-se a receita líquida.

f.) Receitas Líquidas: as receitas líquidas de vendas e prestação de serviços correspondem às receitas brutas diminuídas das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas e serviços prestados.

g.) Custo das Mercadorias ou Produtos Vendidos: representa o quanto custou, para a empresa, as mercadorias ou os produtos que foram vendidos em determinado período. Resumidamente, entende-se por:

Custo das Mercadorias Vendidas – CMV:

· nas empresas comerciais, o valor pago aos fornecedores das mercadorias que foram revendidas no período.

Custo dos Produtos Vendidos – CPV:
· nas empresas industriais, o custo de produzir os produtos que foram vendidos no período.

h.) Lucro Bruto: considera-se como lucro bruto o resultado da atividade da venda de bens ou serviços que constitua objeto – ou atividade – social da empresa. Em resumo, o lucro bruto é o resultado correspondente à diferença entre a receita líquida das vendas e dos serviços prestados e o custo dessas mercadorias, desses produtos e serviços.

No caso específico das empresas comerciais, o lucro bruto é igual ao valor das vendas menos o custo de aquisição das mercadorias que foram vendidas.

Nas empresas industriais, o lucro bruto é igual ao valor das vendas menos o custo de produção dos produtos que foram vendidos.

i.) Despesas Operacionais: trata-se dos demais gastos efetuados pela empresa que não compõem o custo dos produtos, das mercadorias nem dos serviços vendidos.

As despesas operacionais são, por conseguinte, aqueles gastos necessários para a exploração das atividades de uma empresa, sendo contabilizadas em conta de resultado para posterior confrontação com o lucro bruto e conseqüente apuração do lucro ou prejuízo do exercício ou período correspondente.

As despesas operacionais são reunidas em três grandes grupos:
· despesas de vendas: comissões, fretes, seguro de transporte, propaganda etc.;
· despesas administrativas: salários e encargos do pessoal da administração, aluguéis, água, luz, telefone, correio etc.;
· despesas financeiras: juros e variação cambial líquidos de eventuais receitas financeiras.

j.) Resultado Operacional do Exercício ou de um período: representa o ganho ou a perda resultante das operações efetuadas em determinado período.

A apuração do resultado é efetuada pelo confronto entre as receitas, o custo das vendas e as despesas de um mesmo período. Para efeito dessa apuração, as contas de receita e despesa são encerradas em contrapartida de uma conta transitória denominada, geralmente, de “Resultado do Exercício” ou de “Lucros e Perdas”.

Se o valor das receitas superar o montante dos custos e das despesas, diremos que houve lucro. Caso contrário, quando o resultado é negativo, prejuízo.

k.) Resultado Não Operacional: é o resultado de operações não relacionadas à atividade operacional da empresa, tais como:

· lucro ou prejuízo na venda de bens do ativo imobilizado;

· baixa de bens inservíveis;

· baixa de bens sinistrados; e

· indenizações de seguros.

l.) Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR) e da Contribuição Social: é a diferença entre todas as receitas realizadas e todas as despesas incorridas no período, tanto operacionais quanto não operacionais, e servirá de base de cálculo dos impostos devidos.

m.) Despesa de Imposto de Renda e Contribuição Social: é o valor dos impostos incidentes sobre o lucro contábil apurado conforme item anterior ajustado pelas despesas não dedutíveis e pelas receitas não tributáveis, conforme legislação em vigor. A contrapartida dessa despesa é uma obrigação que será classificada no Passivo Exigível.

n.) Lucro Líquido do Exercício: é o lucro final que estará à disposição dos sócios ou proprietários para constituição de reservas ou distribuição de dividendos.


Apuração de Resultados em Empresas Comerciais e Industriais

a) empresas comerciais:

Suas principais atividades são a compra e a venda de mercadorias prontas para revenda. Por exemplo, uma loja de móveis adquire camas, mesas, sofás, cadeiras etc., de uma indústria para revenda a seus clientes.

Outro exemplo: uma loja de eletrodomésticos adquire das indústrias os produtos prontos para posterior revenda aos consumidores, tais como cafeteiras, tostadores, secadores de cabelo, liquidificadores, batedeiras, geladeiras, televisores etc.

fluxo das atividades nas empresas comerciais

Fornecedores de Mercadorias

Compras

=>

Estoques de Mercadorias

Vendas

=>

Clientes

Entende-se por estoques de mercadorias, nas empresas comerciais, o conjunto de mercadorias adquiridas para posterior revenda. As livrarias, por exemplo, recebem os livros e as revistas das editoras e os colocam nas prateleiras para revenda aos leitores. O saldo de seus estoques em determinado momento é o total de livros, revistas, jornais etc., adquiridos das editoras e ainda não revendidos.

O valor atribuído ao estoque é composto dos valores pagos ou a pagar aos fornecedores, mais eventuais gastos de transporte, menos impostos recuperáveis.

b) empresas industriais

Além das atividades comerciais, que é a venda de seus produtos, essas empresas exercem também as atividades de industrialização – ou fabricação – dos produtos que são posteriormente vendidos.

Uma indústria de móveis compra diversas matérias-primas, utiliza mão-de-obra especializada e outros custos necessários à produção, e fabrica os diversos móveis, os quais são posteriormente vendidos.

Fluxo das atividades nas empresas industriais.

Estoques

Clientes

Materiais

Requisições

=>

Produção

Em

Processo

Materiais

Mão-de-Obra

Custos Gerais

=>

Produção

Concluída

Produtos

acabados

Estoque

=>

Venda

Nas empresas industriais, os estoques constituem-se de:

· matérias-primas, materiais secundários e de embalagem para utilização na produção: no caso das editoras, esses tipos de estoques podem ser representados pelas bobinas de papel, tintas, corantes, cola, para impressão dos livros; caixas de papelão, para embalagem dos livros; cartolinas e papéis especiais, para confecção das capas etc. O estoque de material é avaliado pelo valor do custo de aquisição deduzido dos impostos recuperáveis;

· produtos em processo ou produção em andamento: são aqueles produtos cuja fabricação foi iniciada no mês, mas que ainda não foi concluída até o último dia do mês. O estoque de produtos em processo é avaliado pela soma dos materiais, mão-de-obra e outros custos de produção incorridos até a fase de produção em que se encontram;

· produtos acabados: são os produtos prontos para vendas aos clientes. No caso das editoras, os livros, as revistas, as brochuras etc., cujo processo produtivo já esteja concluído, permanecendo estocados até a emissão do pedido de venda e das notas fiscais que autorizem a entrega para os clientes. O estoque de produtos acabados é avaliado pela soma de todos os custos incorridos no processo produtivo;

materiais auxiliares: as indústrias mantêm estoques de produtos auxiliares à produção, tais como graxas e lubrificantes para limpeza das máquinas e das áreas produtivas, ferramentas de pequeno valor, peças de pequeno valor para reposição e manutenção das máquinas etc. O estoque de material auxiliar é avaliado pelo valor do custo de aquisição deduzido dos impostos recuperáveis.

6. Apuração do Lucro ou Prejuízo nas Empresas Comerciais

Como já visto, uma empresa comercial limita-se, quase sempre, a adquirir as mercadorias prontas para revenda. Evidentemente, seu lucro ou prejuízo é a diferença entre:

· o total das mercadorias vendidas no período multiplicado pelo preço de venda de cada mercadoria; menos

· o total das mercadorias vendidas no período multiplicado pelo custo de compra de cada mercadoria; e menos

· as despesas.

Exemplo:

Em determinado mês, a loja de Eletrodomésticos Quichoque adquiriu para revenda 400 aparelhos de som, ao custo unitário de compra de $ 200.

Durante o mês, vendeu 350 aparelhos, ao preço de venda de $320 por unidade, permanecendo 50 aparelhos em estoque para venda nos próximos meses .

As despesas do mês (aluguel da loja, salários do pessoal, comissões dos vendedores, encargos sociais, despesas financeiras, água, luz, telefone, impostos etc.) totalizaram $ 30.000.

O resultado do mês seria assim demonstrado:

Demonstração do Resultado do mês da Quichoque

$

Receitas de vendas: 350 aparelhos x $320 cada

112.000

Menos: custo das mercadorias compradas e revendidas no mês:

350 aparelhos x $200

(70.000)

= Lucro Bruto

42.000

Menos: despesas operacionais

(30.000)

= Lucro do mês

12.000

Evidentemente que o exemplo apresentado está bastante simplificado, visto que se parte do pressuposto que a loja vendeu apenas um tipo de mercadoria, no caso, aparelhos de som. No entanto, o demonstrativo seria elaborado de maneira semelhante até a linha do lucro bruto, independente da diversidade das mercadorias comercializadas.

Após a linha do lucro bruto de todas as mercadorias comercializadas no mês, deduz-se o total das despesas da loja, para obter-se o lucro final.


Apuração do Lucro ou Prejuízo nas Empresas Industriais

Uma empresa industrial, por sua vez, como já mencionado, adquire matérias-primas, aplica mão-de-obra especializada e outros custos de produção para a fabricação dos produtos, que serão posteriormente comercializados.

Exemplo: a Indústria de Móveis Residenciais Conforto Ltda, tem o seguinte gasto para produzir cada unidade de sofá;

Custos de Produção

$

Matérias-primas

40

Mão-de-obra especializada

20

Outros custos de produção

15

Total do custo para produzir cada sofá

75

Durante o mês de junho, produziu 900 unidades de sofá, ao custo unitário demonstrado.

Durante o mês, vendeu 830 unidades, ao preço de venda unitário de $130, permanecendo com um estoque de 70 sofás para vendas nos próximos meses.

Supondo que não houve outras vendas e que as despesas do mês totalizaram $ 32.700, o resultado seria apurado como segue:

Demonstração do Resultado do mês da Conforto

$

Receitas de vendas: 830 sofás x $130 cada

107.900

Menos: custo dos produtos vendidos no mês: 830 sofás x $75

(62.250)

= Lucro Bruto

45.650

Menos: despesas operacionais

(32.700)

= Lucro do mês

12.950


Separação dos Gastos entre Custos e Despesas em uma Empresa Industrial

A separação dos gastos em custos e despesas é fundamental para a apuração do custo da produção, das despesas e do resultado de um período, visto que:

· os custos de produção devem ser incorporados ao custo do produto fabricado na empresa. Enquanto o produto não for vendido, seu respectivo custo não é transferido para o resultado do período. Em outras palavras, o custo do produto não vendido permanece no Balanço Patrimonial compondo os bens da empresa, no grupo de contas “Estoques de Produtos Acabados”;

· as despesas, por sua vez, são registradas diretamente aos resultados, como contas redutoras das receitas.

Portanto, uma incorreta classificação de um custo ou uma despesa afeta diretamente os resultados contábeis da empresa, prejudicando a correta apuração do lucro ou prejuízo do período.

Saliente-se que, conforme definido anteriormente, os custos são gastos necessários para a produção de bens e serviços, enquanto as despesas são gastos necessários para a geração de receitas.

De maneira resumida, pode-se afirmar que:

· todos os recursos consumidos na fábrica, com o objetivo de obter novos produtos, devem ser classificado como custo da produção;

· todos os recursos consumidos pelos demais setores ou departamentos da empresa devem ser classificados como despesas do período.

CASO PRÁTICO:

Exemplo de distorções nos resultados de uma empresa industrial em virtude da classificação de um custo de produção incorretamente como despesa do período.

A Indústria de Cimento KaiKai produziu em agosto 120.000 sacos de cimento. O custo de produção apurado pelo setor de custos foi de $ 480.000, no total, o que resulta em um custo unitário de $ 4.

Durante o mês, foram vendidos 100.000 sacos, ao preço de venda unitário de $ 6,50.

As despesas (administrativas, financeiras, comerciais etc.) totalizaram $ 180.000.

Com base em tais informações, o resultado do mês de agosto foi o seguinte:

Demonstração do Resultado do mês de agosto da

Indústria de Cimento KaiKai

$

Receitas de vendas: 100.000 sacos x $ 6,50 cada

650.000

Menos: custo dos produtos vendidos no mês: 100.000 sacos x $ 4

(400.000)

= Lucro Bruto

250.000

Menos: despesas operacionais

(180.000)

= Lucro do mês

70.000

No entanto, a auditoria acusou erro nessas informações. De acordo com o relatório da auditoria, houve gastos em agosto, no total de $ 30.000, considerados por engano como despesas, que, na realidade, tratam-se de custos com a produção dos 120.000 sacos de cimento.

Os $ 30.000 referem-se aos gastos com embalagem do produto, gastos necessários à conclusão do processo produtivo. O contador, por engano, considerou tais gastos como despesas comerciais.

Refazendo as contas, concluiu-se que os custos totais foram de $ 510.000 (os $ 480.000 anteriores mais os $ 30.000 de materiais de embalagens).

Conseqüentemente, o custo unitário foi de $ 4,25 ($ 510.000 divididos pela produção de 120.000 sacos de cimento no mês).

Por sua vez, as despesas foram reduzidas para $ 150.000 (os $ 180.000 anteriores menos os $ 30.000 transferidos para o custo da produção).

Com base em tais informações “refeitas as contas, após a auditoria” , o resultado do mês de agosto foi, na realidade, o seguinte:

Demonstração do Resultado do mês de agosto da

Indústria de Cimento KaiKai

$

Receitas de vendas: 100.000 sacos x $ 6,50 cada

650.000

Menos: custo dos produtos vendidos no mês: 100.000 sacos x $ 4,25

(425.000)

= Lucro Bruto

225.000

Menos: despesas operacionais

(150.000)

= Lucro do mês

75.000

Portanto, o lucro do mês de agosto, que era de $ 70.000, aumentou para $ 75.000, diferença de $ 5.000.

Nos saldos dos estoques no final do mês, a diferença entre as duas apurações seria a mesma, visto o direto relacionamento entre a valorização dos estoques e a apuração do resultado, como demonstrado:

Saldo do estoque de produtos acabados pela posição anterior

$

20.000 sacos de cimento x custo unitário de $ 4,00 =

80.000

Saldo do estoque de produtos acabados “após a auditoria”

20.000 sacos de cimento x custo unitário de $ 4,25 =

85.000

Diferença no Estoque Final

5.000

Um comentário:

Silvana disse...

Nossa!!que explicação MARAVILHOSA...sanaram a maior parte das minhas dúvidas!