terça-feira, 7 de abril de 2009
Coloque seu cérebro na tomada.

Escrevo enquanto minha mente está lúcida, enquanto meus dedos caminham por sobre as teclas do computador, acertando a seqüência correta da digitação, permitindo a construção de palavras e frases compreensíveis. Escrevo enquanto ainda estou vivo e minha alma clama por deixar expelir tudo o que penso, sinto e sonho.
Devo aproveitar enquanto as luzes da escrivaninha de meu cérebro ainda estão acesas. Tenho que aproveitar o surto de transparência que ainda é possível extrair dessa massa cinzenta que vai se morrendo ao longo dos dias. Devo registrar o que pode servir de referência para os que virão, sem qualquer pretensão de ser padrão.
Enquanto a demência ainda não me dominou, sigo escrevendo minhas bobagens, meus garranchos que vão sendo ajustados em forma pelos caracteres da máquina computador, mas que não podem ser emendados em conteúdo pela mesma máquina, e seguem assim, sem muito norte, sem necessariamente desaguar no mar. Lanço meus fios de texto para se perder, sugados pelo solo arenoso da falta de leitores.
Não é preciso que se tenham leitores para se escrever, não se precisa que alguém dê valor às nossas palavras para que tenhamos mais interesse e entusiasmo para produzir nossas composições. Precisamos apenas da própria vontade e do ressoar dos tambores do cérebro, anunciando que ainda temos encéfalo em funcionamento.
Devemos aproveitar essa capacidade que nossa máquina cerebral nos potencializa para deixar algo registrado, mesmo que seja para nós mesmos, quando não tivermos mais a mesma aptidão ou paciência. Devemos escrever o que queremos ler ou que leiam. Não podemos perder o momento de colocar nossa cabeça para se ocupar do processo de racionar a produção de linhas, e de expor idéias por meio do registro ortográfico.
Aproveitemos o grande conjunto de palavras que nos emprestam os vocábulos de nossa língua, ou tomemos emprestados os termos de outros idiomas, que seja. Mas não percamos a chance de manter nossa mente em uso, com a produção de nossos emblemas textuais.
Valorizemos a acuidade de nossa razão para discutir sobre o mundo e seus viventes. Vamos decifrar os segredos do dormir e acordar. Vamos fazer proposições sobre o projeto viver. Vamos promover a integração das idéias adversas, queiramos colecionar palavras, textos, escritos sobre os mais diversos assuntos.
Seja chamado de louco por escrever sobre temas que as pessoas não estão acostumadas a ler. Fale do tudo e do nada. Escreva sobre a morte, escreva sobre a sorte de se estar vivo. Fale sobre os vermes que devoram a carne dos que partem e são alocados numa cova a poucos palmos da superfície. Coloque seu ponto de vista sobre o retorno à vida, se nisso acreditar.
Se não quiser parecer sombrio, escreve sobre a alegria, sobre fantasia, sobre amar, perdoar e se entregar. Fale do céu e do mar, fale do chão, do sim e do não. Mas não deixe sua mente morrer antes de escrever tudo o que quer e pode. Mesmo que fique assim, sem muita qualidade, com pouca inovação, que não represente nada muito virtuoso, mas que tenha saído de teu encéfalo, de tua capacidade larga ou estreita de criticar a si e ao mundo.
Escreva enquanto é tempo. Leia mais enquanto é tempo, pois sua mente caminha para a atrofia, para o declínio, para a perdição e a caducidade, para a perda do poder de racionar, de criticar, de decidir e de produzir. Sua cabeça será uma carcaça semi-oca, de proporções razoavelmente exageradas para a pouca utilidade que terá após a invalidade que passará a ter quando não mais servir para nada, além de suportar os olhos, boca, narinas, ouvidos e seu criatório capilar.
Deixe essa mensagem semi-louca atordoar você, para que possa refletir sobre o que quer fazer com o seu poder congelado de redigir, de exprimir por meio da fantástica habilidade da escrita que dominamos e que deixamos paralisada pela falta de vontade.
Aproveite enquanto é tempo. Enquanto ainda se tem a capacidade de perceber que o tempo urge e que ainda se é possível utilizar o cérebro para fazer algo que preste para nós mesmos. Tomemos boas decisões na vida, começando por ler, escrever, falar, explorar e conceber todo o poder que nosso conjunto de ligações elétricas encefálicas nos permite. Coloque seu cérebro na tomada!
Um texto de
Robson Braga.
--
Adm. Robson Braga.
CRA-BA 7342
- Coord. de Administração Unisulbahia
- Representante CRA-BA em Eunápolis
- Professor do DCAC - UESC.
- Consultor Empresarial
(73) 8109-5995
(73) 8801-5560
robsonbraga11@gmail.com
robsonbraga11@uol.com.br
MSN: robsonbraga11@hotmail.com
BLOG: http://robsonbraga11.blog.uol.com.br



5 comentários:
Isso sim é um bom texto!
devemos saber que 'não ha nada que não podemos aprender'.
Grande abraço Robson.
issso ai Digão!
muito bom.
Realmente, não há nada que não possamos aprender! inclusive, Digão acabou de aprender como falar no modo subjuntivo! =D
Otimo texto.
nesse caso é o cliente quem da a qualidade do produto.
É isso ai! Muitas vezes temos medo de expor nossas opnioes e expressar aquilo que queremos, mas devemos nao nos importar e fazer mais por nós mesmos.
Postar um comentário